Notas Gastronômicas

Agosto 1, 2008

O melhor Hamburger

Arquivado em: Restaurantes — Tags:, , — gp sachs @ 12:18 pm

Não comi todos hamburgueres do mundo, então soaria pretensioso demais o título original deste texto. Mas eu me arrependo de ter demorado tanto de ter ido ao General Prime Burger, e isso porque o original é ali, do lado do Joakin’s, um dos melhores hamburgueres de “dia-a-dia”. Não sei, talvez achasse que não fosse valer, que era melhor ir direto ao Rocket’s quando quisesse um hamburger mas especial.

De qualquer forma, fui ontem à segunda loja, aquela no Shopping Market Place, e tive dúvidas do que pedir. Um hamburger tradicional? Um hamburger de fraldinha? Um de cordeiro? Um cachorro quente? Mas eu não gosto de comer cachorro quente fora de casa (a salsicha não é feita no restaurante nunca). Fiquei com o hamburger de fraldinha com queijo emmenthal.

E o acompanhamento? Batatas fritas holandesas ou potato skins? Fiquei com os dois. E não iria caber milk shake, mas fica a sugestão para uma próxima visita, todos parecem ótimos.

Vieram primeiro, conforme pedido ao Alfredo, nosso garçon, as potato skins. Quatro quartos de batatas enormes, fritas com a casca e cobertas de uma generosa porção de requeijão e bacon em pedaços bem pequenos. As batatas talvez tenham vindo oleosas demais, mas nada que tenha tirado o encanto delas. Não tinham bacon em excesso e não eram batatas demais.

E então chegou o hamburger com as batatas fritas. As batatas eram muito boas, bem sequinhas e acompanharam muito bem o katchup Heinz, a mostarda French’s e a maionese da casa que vem num potinho junto com o hamburger.

Já o hamburger era outra categoria. As batatas eram muito boas, mas precisei fazer um grande esforço para me lembrar delas, porque o hamburger roubou a cena. O único senão é que pedi ao ponto, mas o ao ponto deles é um tanto quanto bem passado para meu gosto, mas ainda veio úmido por dentro e sem estar tostado por fora. Mas a carne leva um tempero diferente de qualquer outro lugar (e eu acho que descobri o que é), é muito saborosa. É o tipo de hamburger para se comer apreciando cada mordida, cada mastigada, tentando descobrir qual o segredo daquela carne (com pouquíssima gordura). E é o hamburger que entrou na primeira colocação do ranking, passando o meu próprio, feito em casa nos dias de inspiração.

De sobremesa, fiquei com o Cheesecake NY de framboesa, com recheio leve, assado e com uma casquinha em cima, foi, com certeza, o melhor cheesecake que já comi. O atendimento foi excelente, os pratos não demoram para ser servidos e o ambiente é muito agradável.

O cardápio inclui ainda algumas opções de vinhos em taça, cervejas, alguns pratos, muitos outros hamburgueres e sobremesas e diversas opções de entradas. Talvez tivesse saladas, mas, honestamente, não me lembro.

Obrigado Sergio Arno por ter ido cozinhar e não fazer liquidificador.

Maio 9, 2008

Ele voltou

Arquivado em: Restaurantes — Tags:, — gp sachs @ 5:03 pm

Há mais de 20 anos eu freqüento o Jaber da Vila Marina e, como fã do Jaber, não vou ao Catedral, ali do lado. Fui a outros Jaber e os únicos que chegam perto desse são os da Vila Madalena e do Morumbi. O da Vila Nova Conceição é horroroso. Mesmo assim o da Vila Mariana é imbatível.

Nesse meio tempo também comi muitas esfihas, desde a da Dona Mariana, uma senhora de 80 anos virgem (ela dizia) que passava a tarde fazendo salgadinhos dos mais diversos em casa até a da Tenda do Nilo, passando por padarias, lanchonete de faculdade, um restaurante na rua dos Pinheiros, cujo nome não sei, e o Nilo Esfihas, na Rua Cônego Eugênio Leite. E a única que chegava próxima à do Jaber era do restaurante na Rua dos Pinheiros.

Porém, o Jaber andava fraco. Fontes confiáveis me diziam que a esfiha não era mais a mesma coisa. Não acreditei e, num dia que me deu vontade, fui lá para conferir. Era quase sete da noite e consegui uma boa vaga na rua, já que o estacionamento conveniado na R. Eça de Queiroz vai virar um prédio. Cheguei lá e fiquei deslumbrado com a reforma, que tirou o ar de boteco do restaurante. “A esfiha não pode estar ruim”, pensei e pedi logo duas de carne fechadas (minha escolha de sempre). Comi e elas realmente não estavam ruins, mas não estavam tão boas. Não eram mais aquelas esfihas que já me fizeram cruzar boa parte da cidade, quando a unidade da Vila Nova Conceição não agradou. Faltava algum elemento que tinha antes e que havia simplesmente sumido da lista de ingredientes. A esfiha estava seca demais, não fazendo um “creme” da carne com a massa no meio. O tempero estava ótimo, mas o recheio estava mais para o de esfihas de padaria.

Hoje precisei pegar um ônibus na Brigadeiro e descer no metrô Paraíso para voar de um compromisso a outro. Como estava com muita fome e só poderia sair para almoçar muito tarde, decidi gastar uns 10 minutos e parar no Jaber. Não era aquela esfiha de antes, mas ainda assim era boa. Comi a primeira e ela já tinha aquele recheio cremoso que fazia com que ela fosse a melhor. Dei uma mordida na segunda para abrir espaço para o molho de pimenta e confirmei de vez que a esfiha do Jaber da Vila Mariana é a melhor que existe e não tem restaurante na R. dos Pinheiros que vá tirar esse título. Deixei de lado o quibe com nozes que planejava comer e pedi uma terceira esfiha para comer ali no balcão e continuar minha correria. Não sei se era o horário, se era a fome ou o quê, mas quase procurei o “Seu Jaber” e fui cumprimentá-lo pela volta à boa e velha forma.

Serviço:

Jaber Especialidades Árabes – Vila Mariana

R. Domingos de Moraes, 90

Tel.: 5081.3320

Abril 29, 2008

Dia das Mães Gastronômico

Arquivado em: Agenda, Promoções, Restaurantes — Tags:, — gp sachs @ 9:56 pm

Para as assessorias de imprensa que fazem a lição de casa direitinho, um presente: a publicação de promoções de Dia das Mães. Quem deixa para soltar o release na última hora fica sem ser citado aqui. Aos que não enviam pelo Maxpress, sinto muito, por enquanto é a única ferramenta que utilizo, mas pode deixar comentário que passo o e-mail para ser adicionado ao mailing. A quem não é de São Paulo, também lo siento, mas por enquanto só agenda daqui.

Às promoções…

Achapa (3289.0011 – Al. Santos): Todas as mães que forem comer em qualquer unidade da lanchonete no dia 11 ganham uma sobremesa grátis. As sugestões da casa são o Avalanche (bolo de chocolate com sorvete de creme e calda de caramelo) e o Monkey Dream (bolo de banana com sorvete de creme com calda de caramelo).

Viena Delicatessen (3283.4130): Para o Dia das Mães, o Viena Delicatessen (R. Augusta, 1.835) vai preparar a sobremesa “Frutas e Flores”. Serão frutas como abacaxi, carambola, maçã, damasco e manga assadas, com pouca adição de açúcar, no forno a lenha. A sobremesa será servida com flores comestíveis de decoração.

Cantina Montechiaro (3257.4032): No dia 10 de maio, a cantina do bexiga dará para as mães uma garrafa de vinho nacional. Além disso, o chef Daniel de Oliveira irá preparar uma receita de ravioli recheado com galinha d’angola e servido com pesto e pinolis.
O prato custa R$ 55,00 e serve duas pessoas.

Piccolo Bistrot (3872.1625): O chef Sandro Sarbach criou um menu exclusivo para a semana que antecede o dia das mães. De entrada, será servida pêra gratinada com queijo de cabra sobre folhas verdes. O prato principal é um St. Peter assado com molho de laranja en papillote e acompanhado por purê de batatas e minilegumes. Quem optar pelo menu com sobremesa (R$ 65,00), ainda tem direito a Cheesecake de Maracujá. Quem não quiser sobremesa paga R$ 58,00, mas todos têm direito ao drink Mimosa (espumante com suco de laranja) feito para acompanhar o menu exclusivo.

Tarsila (3179.2600): Brunch especial (R$ 120,00) com espeto de cordeiro com merguesa, cogumelos Paris marinados em vinagre de jerez, mousse de cupuaçu com chocolate e limão, entre outras opções. O valor inclui água, sucos e espumantes à vontade, música ao vivo com um trio de jazz e oficina de Origamis para os pirralhos. As mães ainda concorrem a uma garrafa de espumante, um jantar para dois e uma noite de hospedagem no hotel InterContinental.

Abril 23, 2008

Alex Atala na lista da Restaurant

Arquivado em: Notícias, Restaurantes — Tags:, , , — gp sachs @ 11:03 pm

A lista dos melhores restaurantes do mundo da Restaurant Magazine desse ano não traz grandes novidades nas primeiras posições, estão lá, como nos últimos anos, o El Bulli, o Fat Duck e o French Laundry. Pelo menos enquanto essa onda de cozinha molecular continuar, o reinado de Ferran Adrià não está ameaçado. Nada contra, na verdade, ainda gostaria de comer no El Bulli, mas essa coisa de listas é muito relativa, difícil assumir a responsabilidade por eleger alguém o melhor do mundo, mas enfim, isso é outro assunto.

Para os brasileiros, nada de novo também. O D.O.M. de Alex Atala caiu duas posições, mas continua sendo o único restaurante latino-americano na lista.

Esta matéria do Estadão pode dar mais informações aos interessados.

Abril 13, 2008

As Melhores Empanadas Chilenas

Arquivado em: Restaurantes — Tags:, , — gp sachs @ 3:02 am

Há um ano eu estava no Chile. Fui por alguns motivos. O primeiro, visitar um grande amigo. Os outros, não necessariamente por ordem de importância foram os vinhos, a gastronomia e sair um pouco deste país tropical, abandonado por deus.

Os vinhos chilenos já conhecia desde que comecei a apreciar vinhos, uns cinco anos atrás. O primeiro vinho do qual guardo lembranças é um Viña Morandé Pionero Pinot Noir safra já esquecida. Um vinho bem basiquinho de uma vinícola, de acordo com o Guía Descorchados, bem mediana. Bebi pela primeira vez no Rosmarinus com Magret de Canard e Risoto de Pupunha, com os quais o vinho casou maravilhosamente bem. Como era um vinho bem em conta (não tenho encontrado mais), ainda bebi muitas garrafas deste Pinot Noir, de várias safras. Mas, comparando com outros, como o básico Casillero del Diablo, o Pionero não é um vinho excepcional. Apenas um vinho decente, por um preço bom e que traz ótimos lembranças gustativas, de uma noite agradável.

A gastronomia chilena eu conhecia do restaurante El Guatón, localizado no bairro de Pinheiros, onde é possível comer uma excelente pescada frita com tomates, limão e coentro, além de pratos como Pastel
de Choclo
, Pan Amasado e Ají Pebre.

De qualquer forma, andava, dias atrás, com vontade de comer comida chilena novamente e fui ao El Guatón (reformado no início deste ano) pedir uma empanada de carne, apenas para constatar uma coisa: a melhor empanada chilena que conheço está em São Paulo. Logo nos primeiros dias em que fiquei em Santiago, comi algumas empanadas na região de Tobalaba e Las Condes. Eram interessantes, mas nada que tenha ficado gravado na memória para sempre, tanto que não lembro o nome dos locais onde comi-as. Na segunda semana no Chile, quando estava em Pucón, antes de subir um trecho do vulcão Villarica e ver neve pela primeira vez, comi as empanadas de uma portinha onde comprei patês de guanaco e javali. Também
não foram nada marcantes, mas foram ótimas para agüentar o frio e a neve.

As únicas empanadas realmente marcantes que comi no Chile foram as de carne da vinícola Concha y Toro, acompanhadas, por sugestão da bartender, do Terrunyo Cabernet Sauvignon (era o quinto vinho do dia, honestamente, não lembro a safra). As empanadas era delicadas, feitas com uma massa fina, temperadas com ají na medida para não matarem o vinho. As outras empanadas marcantes foram comidas no dia seguinte na Marisqueria Isabel II, um ótimo e simples restaurante perto do Mercado Municipal da agradável cidade de Viña del Mar, a uma hora e meia de Santiago. A empanada era frita e recheada com camarão e queijo, veio sequinha, sem temperos exagerados e tão grande e bem servida (como toda refeição chilena) que poderia ter passado o Jardín de Mariscos que veio depois.

Ainda assim, as empanadas de carne do El Guatón, tanto assadas quanto fritas, superam as chilenas, só pecando pelo uso comedido de ají, mas eu nunca encontrei essa pimenta para vender por aqui e as sementes que trouxe nunca brotaram. Falta também no restaurante a palta, que é um creme de abacate, de um tipo especial, também não encontrado no brasil, comum em qualquer lugar no Chile. Acompanha sanduíches, pratos, cachorros quentes de postos e tudo mais. Uma boa maneira de conhecer um pouco da gastronomia chilena é ir até a R. Arthur de Azevedo e pedir Pan Amasado con Pebre de entrada, empanadas de carne e algum prato como Pastel de Choclo (milho, carne, frango, azeitonas, entre outras coisas) ou Pescada Frita, ou o Congrio. De sobremesa, fique com os tradicionais Milhojas com doce de leite ou Motes con Huesillos, pêssegos secos e trigo em água com açúcar. Para encerrar, escolha uma dose de pisco, Alto del Carmen, se tiver. Mais uma vez, não há grande importação de pisco para cá, portanto, é difícil encontrar um bom para vender. Se há um bom para beber uma dose, já vale a pena.

Serviço:

El Guatón

R. Arthur de Azevedo, 906 – Pinheiros – São Paulo

Tel.: 3085.9466

Abril 9, 2008

O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo

Arquivado em: Restaurantes — Tags:, — gp sachs @ 2:24 am

Uma coisa é mais do que certa: como estratégia de marketing funciona muito bem. Todo mundo com quem tive contato perguntou a si mesmo e aos outros se “é realmente o melhor”. Uso a resposta de uma cliente que nunca conheci: Não sei se é o melhor do mundo, porque nunca comi todos, mas, e aqui o complemento é meu, funcionou muito bem na gastronomia também.

O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo é uma invenção portuguesa que não leva farinha e, como um bom doce português, é feito com ovo e é bem açucarado. Porém, o açúcar é extremamente bem balanceado com boas doses de chocolate francês Valrhona com 53% de cacau na versão doce e 70% na versão meio-amarga, definitivamente a melhor a venda.

Desde que chegou ao Brasil, no final do ano passado, eu estava com vontade de provar o tal bolo, tanto que a primeira garfada, ainda na loja, como parte de uma degustação para escolher qual levar, foi antecedida por uma pequena ansiedade. Pedi um pedaço do meio-amargo e nada para acompanhar. A pequena casa na Oscar Freire abriga poucas mesas e um cardápio enxuto, todo construído em torno do bolo, com café, capuccino e Porto, pelo que me lembro. E, realmente, não é necessário mais nada.

Dei a primeira mordida no bolo e percebi porque ele é o melhor (ou pelo menos um dos melhores) do mundo. Com três camadas de merengue de chocolate, intercaladas por mousse de chocolate, cada pedaço desmancha assim que é colocado na boca, tanto que mal é preciso morder o bolo. A versão doce talvez seja um pouco doce demais para meu gosto (não é ruim, mas não é para meu paladar), mas o meio-amargo é o mais próximo da perfeição que se pode chegar em um bolo de chocolate.

Após a desgustação, encomendei um para levar no dia seguinte, quando ainda comprei dois pedaços para mais uma degustação particular antes de servir bolo para os convidados da noite. As duas fatias foram acompanhadas por café Santo Grão do Sul de Minas, sem açúcar ou mel e só um pouco de leite fresco. O bolo e o café se complementaram de uma forma tão extraordinária que foi difícil manter o bolo inteiro e comprar um outro qualquer para os convidados.

Já à noite, na verdade às 3h30 da manhã, quando já não era hora de tomar mais café, servi as últimas doses de Sandeman Founder’s Reserve Tawny. Mais uma vez a escolha foi acertada, uma pena que outra garrafa dessas só no Free Shop. Já o bolo, cuja receita é tão secreta como a do Pastel de Belém, está sempre a uns cinco quilômetros de casa, sempre fresco e lá também há doses de Porto.

Serviço:

O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo

R. Oscar Freire, 125 (entre a Casa Branca e a Peixoto Gomide)

Tel.: (11) 3061.2172

Fatia de bolo R$ 7,50

Manobrista na porta R$ 10,00, mas se a rua estiver meio vazia, pare em alguma vaga de Zona Azul.

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