Notas Gastronômicas

Abril 13, 2008

As Melhores Empanadas Chilenas

Arquivado em: Restaurantes — Etiquetas HTML:, , — Gustaf P. Sahs @ 3:02 am

Há um ano eu estava no Chile. Fui por alguns motivos. O primeiro, visitar um grande amigo. Os outros, não necessariamente por ordem de importância foram os vinhos, a gastronomia e sair um pouco deste país tropical, abandonado por deus.

Os vinhos chilenos já conhecia desde que comecei a apreciar vinhos, uns cinco anos atrás. O primeiro vinho do qual guardo lembranças é um Viña Morandé Pionero Pinot Noir safra já esquecida. Um vinho bem basiquinho de uma vinícola, de acordo com o Guía Descorchados, bem mediana. Bebi pela primeira vez no Rosmarinus com Magret de Canard e Risoto de Pupunha, com os quais o vinho casou maravilhosamente bem. Como era um vinho bem em conta (não tenho encontrado mais), ainda bebi muitas garrafas deste Pinot Noir, de várias safras. Mas, comparando com outros, como o básico Casillero del Diablo, o Pionero não é um vinho excepcional. Apenas um vinho decente, por um preço bom e que traz ótimos lembranças gustativas, de uma noite agradável.

A gastronomia chilena eu conhecia do restaurante El Guatón, localizado no bairro de Pinheiros, onde é possível comer uma excelente pescada frita com tomates, limão e coentro, além de pratos como Pastel
de Choclo
, Pan Amasado e Ají Pebre.

De qualquer forma, andava, dias atrás, com vontade de comer comida chilena novamente e fui ao El Guatón (reformado no início deste ano) pedir uma empanada de carne, apenas para constatar uma coisa: a melhor empanada chilena que conheço está em São Paulo. Logo nos primeiros dias em que fiquei em Santiago, comi algumas empanadas na região de Tobalaba e Las Condes. Eram interessantes, mas nada que tenha ficado gravado na memória para sempre, tanto que não lembro o nome dos locais onde comi-as. Na segunda semana no Chile, quando estava em Pucón, antes de subir um trecho do vulcão Villarica e ver neve pela primeira vez, comi as empanadas de uma portinha onde comprei patês de guanaco e javali. Também
não foram nada marcantes, mas foram ótimas para agüentar o frio e a neve.

As únicas empanadas realmente marcantes que comi no Chile foram as de carne da vinícola Concha y Toro, acompanhadas, por sugestão da bartender, do Terrunyo Cabernet Sauvignon (era o quinto vinho do dia, honestamente, não lembro a safra). As empanadas era delicadas, feitas com uma massa fina, temperadas com ají na medida para não matarem o vinho. As outras empanadas marcantes foram comidas no dia seguinte na Marisqueria Isabel II, um ótimo e simples restaurante perto do Mercado Municipal da agradável cidade de Viña del Mar, a uma hora e meia de Santiago. A empanada era frita e recheada com camarão e queijo, veio sequinha, sem temperos exagerados e tão grande e bem servida (como toda refeição chilena) que poderia ter passado o Jardín de Mariscos que veio depois.

Ainda assim, as empanadas de carne do El Guatón, tanto assadas quanto fritas, superam as chilenas, só pecando pelo uso comedido de ají, mas eu nunca encontrei essa pimenta para vender por aqui e as sementes que trouxe nunca brotaram. Falta também no restaurante a palta, que é um creme de abacate, de um tipo especial, também não encontrado no brasil, comum em qualquer lugar no Chile. Acompanha sanduíches, pratos, cachorros quentes de postos e tudo mais. Uma boa maneira de conhecer um pouco da gastronomia chilena é ir até a R. Arthur de Azevedo e pedir Pan Amasado con Pebre de entrada, empanadas de carne e algum prato como Pastel de Choclo (milho, carne, frango, azeitonas, entre outras coisas) ou Pescada Frita, ou o Congrio. De sobremesa, fique com os tradicionais Milhojas com doce de leite ou Motes con Huesillos, pêssegos secos e trigo em água com açúcar. Para encerrar, escolha uma dose de pisco, Alto del Carmen, se tiver. Mais uma vez, não há grande importação de pisco para cá, portanto, é difícil encontrar um bom para vender. Se há um bom para beber uma dose, já vale a pena.

Serviço:

El Guatón

R. Arthur de Azevedo, 906 - Pinheiros - São Paulo

Tel.: 3085.9466

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